Informação sobre psoríase, causas, sintomas e tratamento da psoríase, com diagnóstico do grau de gravidade de cada situação e dando dicas para que quem sofre com psoríase, doença crônica infecciosa, possa melhorar a sua qualidade de vida.


Psoríase gutata

A psoríase gutata é uma psoríase que é caracterizada por múltiplas pequenas placas escamosas que tendem a afetar a maior parte do corpo. "Gutta" em latim significa lágrima; psoríase gutata parece-se com uma chuva de gotas vermelhas e escamas de lágrima que caíram sobre o corpo. Geralmente, as lesões são concentradas em torno do tronco, nos braços e nas coxas. Rosto, orelhas e couro cabeludo também são comumente afetados, mas as lesões podem ser muito ténues e desaparecem rapidamente nessas áreas. Ocasionalmente, pode haver apenas algumas lesões espalhadas.
O diagnóstico de psoríase gutata é feito pela combinação de história, aparência clínica da erupção, e evidência de infecção anterior.
A erupção surge muito rapidamente, normalmente dentro de um par de dias, e pode seguir uma infecção estreptocócica da garganta e tende a afetar crianças e adultos jovens, tendo uma boa chance de desaparecer completamente de forma espontânea.

Gravidade da psoríase

A gravidade da psoríase pode variar desde 1 ou 2 lesões praticamente assintomáticas, até doença generalizada com esfoliação e artrite debilitantes. A causa da doença é desconhecida, mas sabe-se que a descamação espessa deve-se a um aumento na velocidade de proliferação das células epidérmicas. Cerca de 2 a 4% da população branca é acometida. Entre os negros esta porcentagem é bem menor. O aparecimento da doença em geral dá-se entre a 1ª e a 4ª década de vida, mas nenhum grupo etário está livre do risco. É comum haver história familiar de psoríase. O estado geral do paciente não é afetado, exceto pelo estigma psicológico de uma doença "feia", a menos que haja artrite grave ou esfoliação resistente ao tratamento. A psoríase é mais frequente no sexo feminino antes da puberdade, enquanto que no homem, a doença costuma iniciar-se mais tarde, entre os 15 e 30 anos de idade. Em apenas 2% dos pacientes, a psoríase se instala após os 60 anos de idade. O aparecimento da doença em geral é gradual. A evolução típica do quadro se dá com remissões e recidivas crônicas (às vezes com exacerbações agudas), que variam tanto na freqüência quanto na duração. Há diversos fatores relacionados com o aparecimento das erupções psoriásicas. Entre eles temos traumatismo local (fenômeno de Koebner, que se constitui no aparecimento de lesões sobre o local onde ocorreu um trauma), queimadura solar intensa, estado emocional, medicamentos tópicos, suspensão de tratamento com corticoides, pós infecção das vias aéreas superiores (principalmente em crianças).
As lesões, eritemático-escamosas ou descamativas, têm limites nítidos, tamanhos e formas diversas, podendo surgir em qualquer parte da pele, ainda que sejam mais habituais em certos locais (couro cabeludo, cotovelos, joelhos, o dorso e as nádegas). Com efeito, as lesões podem ser muito pequenas, em pontos (psoríase pontuada), de tamanho lenticular (psoríase em gotas ou psoríase lenticular), ou do tamanho de moedas (psoríase numular), porventura em forma de anéis (psoríase anular) ou em figuras serpiginosas (psoríase serpiginosa), às vezes muito extensas (psoríase geográfica). É óbvio, porém, ser possível aparecerem no mesmo doente diversas modalidades morfológicas. As lesões podem ser muito discretas em qualquer região do corpo, surgir em locais dispersos e até em toda a superfície cutânea.


Outros problemas associados à pele podem incluir assadura, cravos na pele, escurecimento da pele e pele hiperelástica entre outras.


Psoríase vulgar ou em placas

Psoríase vulgar ou em placas é o tipo mais comum da doença e manifesta-se por placas redondas ou ovais, de tamanhos variados, bem delimitados, avermelhadas, com escamas secas e aderentes prateadas ou acinzentadas. Um anel esbranquiçado, conhecido como anel de Woronoff, pode ser observado cercando a placa psoriática. As áreas mais afetadas são cotovelos, joelhos, couro cabeludo, região lombo-sacra e umbigo.

Psoríase vulgar

O nome médico para a forma mais comum de psoríase é psoríase vulgar ("vulgar" significa comum). Cerca de 80% das pessoas com psoríase têm este tipo de psoríase. Também se costuma dar o nome psoríase em placas por causa das placas características na pele: placas bem definidas, vermelhas com levantamento de pele que podem aparecer em qualquer área da pele, embora os joelhos, cotovelos, couro cabeludo e tronco sejam os locais mais comuns. A acumulação de branco prateado escamoso no topo das placas é chamado  de escala, sendo composto de células mortas da pele. Esta escala aparece solta e derrama constantemente a partir das placas. Sintomas na pele incluem dor, coceira e craqueamento na pele.

Tipos de psoríase

Baseado no local da lesão e em suas características clínicas, a psoríase é dividida em diferentes tipos, nomeadamente:

A psoríase é uma doença de pele

A psoríase é uma doença de pele que causa manchas pruriginosas ou doloridas, de pele grossa, vermelha e com escamas prateadas. Normalmente as manchas aparecem nos cotovelos, joelhos, couro cabeludo, costas, rosto, mãos e pés, mas podem aparecer em outras partes do corpo. Algumas pessoas que têm psoríase também obtêm uma forma de artrite chamada artrite psoriásica.
Um problema associado ao seu sistema imunológico causa a psoríase. Num processo chamado de renovação celular, as células da pele crescem em profuncidade até atingirem a superfície da pele. Normalmente, este processo leva um mês. Na psoríase, isso acontece em poucos dias, porque suas células sobem muito rápido.
A psoríase pode ser difícil de diagnosticar porque pode parecer-se com outras doenças de pele. O seu médico pode precisar de olhar para uma pequena amostra de pele sob um microscópio.
A psoríase pode durar um longo tempo, mesmo uma vida. Os sintomas vêm e vão. Situações que pioram a psoríase incluem:
- Infecções;
- Estresse;
- Pele seca:
- Certos medicamentos.

Psoríase geralmente ocorre em adultos. Às vezes ocorre em famílias. Os tratamentos incluem cremes, medicamentos e terapia de luz.


Psoríase

Apesar de pouco conhecida, a psoríase é uma doença crónica inflamatória da pele bastante comum que atinge em torno de 1% a 3% da população mundial. A psoríase possui aspetos multipatogênicos com envolvimento genético, imunológico e fatores ambientais.
Psoríase caracteriza-se principalmente por hiperproliferação dos queratinócitos e infiltrado leucocitário na epiderme, e pela expansão vascular e alteração na produção de citocinas na derme. As áreas afetadas podem causar incómodo físico e também problemas no convívio social afetando a qualidade de vida, pois apesar da doença não ser contagiosa, os pacientes sentem-se constrangidos devido à aparência provocada pelas lesões. O diagnóstico é baseado no histórico clínico do paciente, contudo pode utilizar-se a biópsia para confirmação. A prevenção consiste apenas em retardar as recidivas. O tratamento, que utiliza agentes terapêuticos tópicos ou sistémicos, biológicos e foto/quimioterapia, não visa a cura, apenas mantém a doença em remissão, melhorando o bem estar do paciente. A escolha do tratamento vai depender da apresentação e severidade da doença, da relação custo/benefício e da vontade de qualidade de vida do paciente.

Quais são os diferentes tipos de psoríase?

Existem tipos diferentes de psoríase, incluindo psoríase vulgar, psoríase gutata, psoríase inversa (nas dobras da pele, como das axilas, umbigo, virilha e nádegas), e psoríase pustulosa (pequenas bolhas amareladas cheias de pus). Quando as palmas e solas dos pé se encontram envolvidas, isto é conhecido como a psoríase palmo-plantar. Na psoríase eritrodérmica, toda a superfície da pele está envolvida com a doença. Os pacientes que têm esta forma de psoríase muitas vezes sentem frio e podem desenvolver insuficiência cardíaca congestiva (se tiverem um problema cardíaco preexistente). Psoríase ungueal produz unhas amarelas sem caroço que podem ser confundidas com outra patologia. Psoríase do couro cabeludo pode ser grave o suficiente para produzir perda localizada de cabelo, abundância de caspa e coceira intensa.


Psoríase e o sistema ímune

Ao fabricar células brancas do sangue para proteger o corpo contra a infecção, o sistema imune desempenha um papel-chave na psoríase. Na psoríase, as células T (um tipo de células brancas do sangue) desencadeiam anormalmente a inflamação da pele. Estas células T também fazem com que as células da pele cresçam mais rápido do que o normal e se amontoem em placas levantadas na superfície externa. A psoríase pode ser herdada. Algumas pessoas carregam genes que as tornam mais susceptíveis a desenvolvê-la. Só porque uma pessoa possui genes que irão torná-la mais susceptível a desenvolver a psoríase não significa que ela terá a doença. Aproximadamente um terço das pessoas com psoríase tem ao menos um membro da família com a doença. Certos fatores podem desencadear a psoríase naqueles que possuem os genes. Fatores ambientais como o fumo, a exposição ao sol e o alcoolismo podem afetar o quão frequentemente a psoríase ocorre e por quanto tempo as erupções durarão. O dano à pele é conhecido por desencadear a psoríase. Por exemplo, uma infecção de pele, inflamação de pele ou mesmo a coceira excessiva pode deflagrar a psoríase. Um número de medicações pode agravar a doença. As erupções da psoríase podem durar por semanas ou meses. A doença desaparece por um tempo e depois retorna. A psoríase em placas é o tipo mais comum de psoríase e é caracterizada por pele vermelha coberta com escamas prateadas e inflamação. Manchas de placas vermelhas circulares ou ovaladas que coçam são típicas da psoríase em placas.

Quando se conheceu a psoríase

Psoríase (do grego psoríasis = erupção sarnenta) já é conhecida desde os tempos mais remotos, existindo sua descrição e tratamento no Papiro de Ebers datado de 1550 a.C., tendo sido descrita modernamente por Willan em 1801. Esta doença é uma afecção típica da espécie humana, não podendo ser reproduzida experimentalmente. Como a acne e o eczema, a psoríase é uma das dermatoses mais frequentes e de distribuição universal, sendo possível que ela ocupe o segundo lugar, por ordem de freqüência, depois dos eczemas. Nas grandes estatísticas dermatológicas, a psoríase figura entre 5 a 7% dos casos. É uma doença muito comum, crônica e recorrente, caracterizada por placas e pápulas descamativas, bem delimitadas, de vários tamanhos e de cor prateada.


Tipos e sintomas de psoríase

Psoríase Vulgar
Lesões de tamanhos variados, delimitadas e avermelhadas, com escamas secas, aderentes, prateadas ou acinzentadas que surgem no couro cabeludo, joelhos e cotovelos;

Psoríase Invertida
Lesões mais úmidas, localizadas em áreas de dobras como couro cabeludo, joelhos e cotovelos;

Psoríase Gutata
Pequenas lesões localizadas, em forma de gotas, associadas a processos infecciosos. Geralmente, aparecem no tronco, braços e coxas (bem próximas aos ombros e quadril) e ocorrem com maior frequência em crianças e adultos jovens;

Psoríase Eritrodérmica
Lesões generalizadas em 75% ou mais do corpo;

Psoríase Ungueal
Surgem depressões puntiformes ou manchas amareladas principalmente nas unhas da mãos;

Psoríase Artropática
Em cerca de 8% dos casos, pode estar associada a comprometimento articular. Surge de repente com dor nas pontas dos dedos das mãos e dos pés ou nas grandes articulações como a do joelho;

Psoríase Pustulosa
Aparecem lesões com pus nos pés e nas mãos (forma localizada) ou espalhadas pelo corpo;

Psoríase Palmo-Plantar
As lesões aparecem como fissuras nas palmas das mãos e solas dos pés.

O que é a psoríase

A psoríase é uma doença crónica da pele, não contagiosa, que se caracteriza pela presença de manchas vermelhas, espessadas e descamativas. A causa da psoríase ainda é desconhecida e apesar de existir evidências de  uma predisposição familiar, não é necessariamente transmitida aos descendentes. A psoríase atinge homens e mulheres, em qualquer idade, e pode ocorrer desde formas localizadas e discretas, até formas muito severas que acometem grande área da superfície corporal. A psoríase está sujeita a remissões e recidivas, relacionadas a diversos fatores, como traumas (físico, químico, queimadura solar), infecções, drogas, estresse emocional, etc. Os locais mais atingidos são o couro cabeludo, cotovelos, joelhos, palmas das mãos, plantas dos pés, unhas e tronco, refletindo lesões em ambos os lados do corpo.

Psoríase nas unhas

Em 90% dos casos a psoriase pode envolver as unhas, correspondendo a um grande estigma da doença, interferindo nas atividades de trabalho e mesmo nas relações sociais, podendo ainda causar dor local. O manejo da psoriase ungueal é difícil, e normalmente evolui com vários episódios recidivantes, na maioria das vezes subintrantes, sem que se experimente a cura completa das lesões. Uma das principais características da doença é a onicólise. Um cuidado inicial que o paciente deve seguir é o de evitar traumatismos, manter a unha curta, seca e limpa, diminuindo assim os estímulos que possam intensificar este descolamento ungueal. Como a onicólise, a hiperqueratose subungueal representa alterações do leito ungueal. Além destas, a presença de pitting ungueal e irregularidades no relevo da lâmina são importantes e estas representam lesão da matriz, que pode ser acompanhada de paroníquia. Dependendo do grau de intensidade da doença, do seu impacto na qualidade de vida e da sua associação com outras formas de psoríase, o tratamento tópico pode ser uma opção mas também se pode optar pela escolha de um tratamento sistêmico.

Comorbidades psiquiátricas na psoríase

A psoríase está associada à falta de auto-estima e aumento da prevalência de distúrbios de humor, incluindo depressão. A prevalência da depressão em pacientes com psoríase pode ser tão elevada quanto 60%. A depressão pode ser grave o suficiente para que alguns pacientes considerem o suicídio. Num estudo de 217 pacientes com psoríase, quase 10% relataram um desejo de morrer e 5% relataram ideação suicida ativa. Tratamentos para a psoríase podem afetar a depressão. Um estudo demonstrou que pacientes com psoríase tratados com etanercept tiveram uma diminuição significativa em seus escores de depressão quando comparados com indivíduos controlados. No entanto, a depressão diagnosticada clinicamente, foi um critério de exclusão neste estudo. Portanto, o tratamento da psoríase com etanercept diminuiu os sintomas de depressão em pacientes sem depressão clínica evidente. Aumento das taxas de depressão em pacientes com psoríase pode ser um outro fator que leva ao aumento do risco de doença cardiovascular. Embora haja alguma evidência sugestiva de que o tratamento da depressão com inibidores da recaptação da serotonina possam reduzir eventos cardiovasculares, continuam a faltar evidências conclusivas.

Fardo psicológico e emocional da psoríase, podem ter um impacto psicológico e emocional substancial num indivíduo, o que nem sempre está relacionado com a extensão da doença da pele. Existem taxas elevadas de diversas psicopatologias entre pacientes com psoríase, incluindo baixa auto-estima, disfunção sexual, ansiedade, depressão, e ideias suicidas. Porque a gravidade clínica da psoríase pode não refletir o grau de impacto emocional da doença, é importante que os médicos considerem os aspectos psicossociais desta doença.

Psoríase e doença cardiovascular

Existe um risco aumentado de doença cardiovascular em doentes com psoríase. Acredita-se que vários fatores podem contribuir para o aumento do risco de doença cardiovascular nestes pacientes. Pacientes com psoríase surgem mais frequentemente com excesso de peso, aumento da incidência de diabetes, aumento da incidência da hipertensão, e têm um perfil de lipoproteínas aterogénicas no início da psoríase, significativamente com baixa densidade de níveis de colesterol de lipoproteína e alta densidade de níveis de lipoproteína.
Análise epidemiológica num Banco de Dados de Clínica Geral no Reino Unido, que contém dados de mais de 130 mil pacientes com psoríase com idade entre 20 e 90 anos, determinou que os pacientes com psoríase têm uma incidência maior do que o normal para infarto do miocárdio. Mesmo após correção para a doença cardíaca, fatores de risco como fumar, diabetes, obesidade, hipertensão e hiperlipidemia, a probabilidade de enfarte do miocárdio é superior nos doentes que têm psoríase, quando comparados com indivíduos que não são afetados por esta doença (risco relativo sendo particularmente elevado em pacientes mais jovens com psoríase mais grave). Os doentes que têm ao mesmo tempo artrite reumatóide e lúpus eritematoso sistêmico, também apresentam um aumento da incidência de doença cardíaca coronária, sugerindo que o processo inflamatório crônico encontrado em todas estas doenças, pode desempenhar um papel na promoção de doença cardíaca coronária. Estudos preliminares sugerem que a terapia da artrite reumatóide e psoríase com methotrexate e artrite reumatóide com inibidores de fator de necrose tumoral pode diminuir a mortalidade cardiovascular.

Psoríase em placas

A psoríase em placas é a forma mais comum de psoríase, e afeta cerca de 80 a 90% dos pacientes com psoríase. A grande maioria de todos os ensaios clínicos de alta qualidade e regulamentares em psoríase, têm sido realizados em pacientes com esta forma de psoríase. A psoríase em placas manifesta-se como placas eritematosas bem definidas e bem demarcadas que variam em tamanho de 1 cm a vários centímetros. Estes achados clínicos são espelhados histologicamente por hiperplasia epidérmica em forma de psoríase, paraqueratose com neutrófilos intracorneais, hipogranulose, encefalopatias pústulas, um infiltrado de neutrófilos e linfócitos na epiderme e derme, juntamente com uma vasculatura papilar dérmica expandida. Os pacientes podem ter envolvimento que vai desde apenas algumas placas até inúmeras lesões que cobrem quase toda a superfície corporal. As placas são irregulares, redondas ou ovais em forma, e na maioria das vezes localizadas no couro cabeludo, tronco, nádegas e pernas, com uma predileção por superfícies extensoras, como cotovelos e joelhos. Placas menores ou pápulas podem aglutinar-se em lesões maiores, especialmente nas pernas e tronco. Fissuras dolorosas no interior das placas podem ocorrer quando as lesões estão presentes sobre linhas da articulação ou nas palmas das mãos e plantas dos pés. Placas de psoríase têm tipicamente uma seca e fina escala de branco prateado ou micáceo, frequentemente modificada por diferenças regionais anatómicas, e tendem a ser distribuídas simetricamente ao longo do corpo. Aproximadamente 80% das pessoas afetadas com psoríase têm doença leve a moderada, e 20% tem psoríase moderada a grave que afeta mais de 5% da área de superfície corporal ou afeta áreas do corpo cruciais, tais como as mãos, pés, rosto, ou órgãos genitais.

Conhecendo a psoríase

A psoríase é uma condição comum da pele que afeta 2 a 3% da população. 
Psoríase é muito simplesmente uma aceleração dos processos de substituição habituais da pele. Normalmente as células da pele levam cerca de 21 a 28 dias para substituir-se a si mesmo, mas na psoríase este processo é muito acelerado, e as células da pele podem ser substituídas a cada 2 a 6 dias, resultando numa acumulação de células da pele, na superfície da pele, sob a forma de uma placa psoriática. Este processo é o mesmo, sempre que ocorre no corpo.
A psoríase pode ocorrer em qualquer altura ao longo da vida, afetando crianças, adolescentes, adultos e idosos, afetando homens e mulheres de igual modo.
A psoríase não pode ser transmitida a partir de outras pessoas nem pode ser transmitida a partir de uma parte do corpo para outra.

Manchas de psoríase (também conhecidas como placas, são manchas vermelhas, levantadas na pele, cobertas de escamas branco-prateadas. As escamas branco-prateadas são a acumulação das células de pele à espera de ser eliminadas, e a vermelhidão é devida ao aumento dos vasos sanguíneos necessários para suportar o aumento na produção de células. A psoríase pode variar na aparência de leve a grave. As placas podem aparecer numa variedade de formas e tamanhos, variando desde alguns milímetros até vários centímetros de diâmetro. As placas de psoríase têm uma aresta bem definida a partir da pele circundante. 
A maioria das pessoas (80%) com psoríase, têm psoríase em placas (também conhecida como psoríase vulgar - vulgar significa apenas comum) em que as placas tendem a aparecer mais frequentemente nos cotovelos, joelhos, região lombar e couro cabeludo, embora qualquer parte do corpo possa ser afetado. 
Manchas de psoríase gutata são pequenas (muitas vezes menos de 1 cm de diâmetro) e escamosas, e podem ser numerosas, cobrindo muitas áreas do corpo, e sendo vistas mais frequentemente em crianças e adolescentes, podendo ser desencadeadas por uma infeção na garganta. 
O aparecimento da psoríase em áreas sensíveis, como as axilas e virilha surge muitas vezes com cor vermelha e brilhante e com pouca ou nenhuma escala. Não é incomum que a psoríase provoque coceira, podendo por vezes provocar dor ou ferida.
Outras formas de psoríase incluem psoríase pustulosa, onde pequenas bolhas aparecem, geralmente nas mãos e nos pés e psoríase ungueal, nas unhas, onde ocorrem mudanças na aparência e textura.

Modalidades clínicas da psoríase

Podemos distinguir três modalidades clínicas da psoríase, a psoríase vulgar, a psoríase pustulosa e a psoríase artropática. A psoríase vulgar responde por cerca de 90% dos casos que, por sua vez, apresenta as formas "pontuada", "em gotas", "numular", "geográfica", etc. A psoríase pustulosa caracteriza-se por pústulas estéreis, que acometem as palmas e as plantas ou são generalizadas, nem sempre apresentando lesões típicas da psoríase. A psoríase artropática lembra muito a artrite reumatoide e pode ser tão debilitante quanto ela, não se encontra, no entanto, o fator reumatoide no soro do paciente.
A doença evolui por surtos de intensidade variável durante toda a vida. Pode, porém, desaparecer durante um tempo mais ou menos longo, de meses ou anos, espontaneamente ou após terapêutica.
O prognóstico depende da gravidade e da extensão do acometimento inicial. Em geral, observa-se que quanto mais cedo ocorrer a doença, pior o prognóstico. As crises agudas em geral melhoram logo, mas a remissão total do quadro é rara. Nenhum dos métodos terapêuticos conhecidos até hoje garantem a cura, mas é possível controlar a doença na maioria dos casos. O tratamento deve ser sempre acompanhado por um médico.

Como é feito o diagnóstico da psoríase

Sendo habitualmente fácil o diagnóstico da psoríase, em alguns casos pode ser necessário comprová-lo. Para isso, tem importância a curetagem metódica de Brocq, que consiste em rapar a lesão psoriática com uma cureta ou simplesmente com a unha, destacando sucessivas camadas de escamas (sinal da vela). Aparecerá uma última fina camada epidérmica, a qual, arrancada, evidencia uma superfície brilhante e momentos depois hão de surgir algumas gotículas de sangue (sinal do orvalho hemorrágico ou sangramento de Auspitz). Em volta das lesões observa-se, freqüentemente, uma área pálida, decorrente de provável constricção vascular (anel ou halo de Woronoff).

Psoríase e a qualidade de vida dos pacientes

As doenças imunes costumam afetar o emocional dos pacientes e as relações interpessoais. A psoríase é uma, dentre as inúmeras moléstias que afetam o sistema de proteção natural do organismo, com o agravamento de atingir uma das partes mais expostas do corpo, a pele.
Embora a psoríase não afete a sobrevivência, é certo que existe impacto negativo no bem-estar físico e psicossocial do paciente demonstrado pelo detrimento na qualidade de vida. Pacientes com psoríase tem uma redução na qualidade de vida até maior do que aqueles com outras doenças crônicas, pois se sentem estigmatizados, avaliados com base na aparência decorrente da doença, o que corrobora para entrarem em depressão e tentarem suicídio em mais de 5% dos casos.
Todo o estresse psicológico influencia na evolução da doença e na terapia - mais de 60% dos pacientes descrevem o estresse como o desencadeador ou exacerbador da doença - por isso, a intervenção psicológica tem um importante papel no manejo da psoríase, sobretudo quando em paralelo ao tratamento farmacológico produzindo uma significante melhora na severidade da doença.
O uso de terapias mais específicas, especialmente com o advento dos biológicos, permite que alguns pacientes aproximem-se cada vez mais da remissão ou redução substancial da doença o que melhora substancialmente sua qualidade de vida.
A satisfação dos pacientes com o tratamento é geralmente de baixa a moderada. Apenas 27% dos pacientes expressam grande satisfação. Mencionam-se os efeitos colaterais como os maiores aspectos negativos do tratamento, o que é refletido na qualidade de vida do paciente.

Tratamento e cura da psoríase

Não existe cura para psoríase. A estratégia do tratamento é minimizar a severidade da lesão melhorando a qualidade de vida do paciente. Há um grande leque de tratamentos para a psoríase, sendo fundamental primeiramente o diagnóstico diferencial de forma a afastar a possibilidade de outras patologias.
As diferentes opções de tratamento para psoríase variam quanto a modalidade, mecanismo de ação, toxicidade e eficácia.
A escolha da terapia mais adequada é influenciada pela severidade e localização da doença; eficácia, tempo de uso e efeitos colaterais do medicamento; acessibilidade ao tratamento além da preferência do paciente e sua qualidade de vida.
Contudo, atualmente é consenso entre dermatologistas em psoríase que o melhor resultado tem-se ao combinar tratamentos e fazer um rodízio de tipos de tratamentos em cada nova crise.
Quanto ao mecanismo de ação, as terapias para psoríase são formuladas para atuarem em diferentes pontos específicos de sua patogênese:
  • Supressão da ativação das células T;
  • Bloqueio da estimulação dos receptores de células T ou da co-estimulação;
  • Modulação da proliferação de células T;
  • Controle da migração e adesão de células T;
  • Alteração do balanço de citocinas e neutralização do efeito daquelas circulantes.
A primeira linha de terapia inclui aplicação de agentes terapêuticos tópicos que afetam a proliferação e produção de mediadores inflamatórios envolvidos na patogênese da inflamação na pele. É fundamental também usar diariamente hidratantes ou substâncias que ajudem a manter a pele hidratada e com menos escamas.
Embora o tratamento tópico seja eficiente para muitos pacientes, aproximadamente 20% necessitam de medicamentos sistêmicos adicionais que apresentam potencial para sérios efeitos colaterais como hepato e nefrotoxicidade, teratogenicidade e câncer de pele, o que limita seu uso por longos períodos. Outro problema na administração sistêmica no caso dos corticosteróides é a possibilidade de exacerbar as lesões na pele após o desuso da medicação, por isso esse tipo de terapia é, quando possível, desaconselhada.
Em geral, para casos mais suaves, existem terapias com corticosteróides tópicos, análogos de vitamina D3, retinóides, ácido salicílico, antralina, tazarotene. Já para a doença moderada a severa usa-se foto/quimioterapia, e tratamentos sistêmicos com imunossupressores e biológicos.
Tradicionalmente, a severidade da psoríase é mensurada usando vários score para os sintomas. O sistema de pontuação (score) mais usado na psoríase é o Índice de Área e Severidade da Psoríase (PASI - Psoriasis Area and Severity Index), no qual o corpo é dividido em 4 regiões: cabeça e pescoço, tronco, extremidades superiores e inferiores.
Componentes individuais desse sistema de score, especialmente eritema, infiltração e descamação são usados para os cálculos da pontuação dos sintomas.
Um método comum de avaliação da eficácia das diferentes modalidades de tratamento na psoríase é biopsiar a pele antes, durante e após a terapia. Marcadores de proliferação, diferenciação, inflamação e ativação de células imunes também são usados freqüentemente. Entretanto, é prudente incluir também a percepção do paciente quanto à eficácia da terapia em uso. Visando isso, uma nova forma de mensurar a eficácia da terapia tem sido obtida através da aplicação de medidas da qualidade de vida do paciente (QOL – Quality of Life), as quais são quase sempre avaliadas através de questionários de relato próprio, o que facilita para o paciente.

Prevenção da psoríase

Não se pode impedir que um indivíduo tenha psoríase já que suas causas ainda não estão totalmente esclarecidas e, na maioria dos casos, já nasce com uma programação genética para ter ou não a doença. Entretanto os portadores da doença podem prevenir novas recaídas ou o agravamento das lesões das seguintes formas:
  • Evitando o estresse, queimaduras, cortes e traumas na pele;
  • Tratando rapidamente das infecções que surgirem, sobretudo da garganta;
  • Minimizando o uso de medicamentos que agravam a psoríase, como antiinflamatórios não-esteroidais, antimaláricos, beta-bloqueadores, antidepressivos, imunossupressores e corticosteróides por via oral ou injetável;
  • Hidratar diariamente a pele;
  • Evitar raspar as lesões, pois o traumatismo é um dos fatores desencadeantes da patologia.

Tratamento tópico da psoríase


A administração de medicamento diretamente sobre a lesão cutânea permite minimizar possíveis efeitos colaterais em outros órgãos e na pele não lesada. Nas formas leves de psoríase, a terapêutica tópica, seja em monoterapia, seja combinada , costuma ser suficiente para o controle das lesões. Nas formas moderadas a graves, o tratamento local, quando associado à fototerapia e/ou à terapia sistêmica, propicia mais conforto ao paciente e acelera a melhora. Tópicos ceratolíticos, emolientes ou umectantes deverão sempre ser incluídos em qualquer programa terapêutico, seja como coadjuvante, seja em alternância com os produtos ativos e nas fases assintomáticas.

Doenças associadas a psoríase

Estudos epidemiológicos mostram que os doentes com psoríase têm um risco aumentado de desenvolver artrite, designada artrite psoriática ou psoríase artropática, síndroma metabólico, doença cardiovascular, depressão, certos tipos de neoplasia e doença inflamatória intestinal.